quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

.....Meu Vizinho Esperto.....




A mulher lavava-lhe as roupas
Ele lavava-lhe os desejos
Levando-lhe ao ápice
Da humilhação.
Eu, da janela, sempre atenta
Ele entrando e saindo
Perfumado e penteado
Com jeito de quem tá traindo.
A mulher com a vassoura na mão
Corria até o portão
E depositava-lhe beijos
Que antes de virar a esquina
O safado limpava
Com a costa da mão.
Era triste de ver
Que a mulher era escrava
Lavava louça, calçada
E ele fazia serão.
Vestido de calça costurada,
Sapato brilhante e azul
Era malandro da noite
Gostava de puta e de gay.
A mulher, coitadinha,
Sempre enfiada na cozinha
Experimentando receitas
A agradar a família, que eu sei.
Até que um dia, surpresa!
Ao chegar desengonçado
Pela transa com a rameira
Encontrou a mulher dormindo
Nua, debaixo da mesa.
Sentou-se no chão, quieto,
E esperou a princesa
Abrir os olhos com calma.
- O que houve, Amélia?
A mulher sem resposta
Apostou na prepotência
E na ciência de que ele
Se sabia velhaco
Logo disse de pronto
Que sentira calor
E por isso arrancou
Toda a roupa de trapo.
Não entendendo nada
Mas crendo na fidelidade
Criada pela cegueira
Da esposa cozinheira
Adroaldo respirou fundo
Levantou-se e foi banhar-se.
A boba ficou na cozinha
Lembrando da trepadeira
Que aprontara com o cunhado.
É bom ter marido safado,
É bom fazer chumbo trocado
E ainda sair ilesa, nua sob uma mesa.
Serviu a janta na mesma mesa,
Lavou a louça que tirou da mesa,
Passou a roupa do marido sobre a mesa
Enquanto ele dormia em frente à tevê.

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